Corpo

Quando a primeira temporada de “Glow” chegou à Netflix, mais ou menos um ano atrás, a atriz Alison Brie deu uma entrevista dizendo que a série – sobre mulheres comuns que estrelam um programa de luta livre nos anos 80 – fez com que ela mudasse completamente a forma de encarar seu corpo. Fez com que ela se sentisse “forte”… E tenho certeza de que ela não se referia ao tamanho dos seus braços.

Há alguns meses entrei para uma academia de Pole Dance e comecei a fazer aulas de circuito como complemento. Ainda não consigo fazer muita coisa e não posso dizer que estou entre as alunas mais equilibradas ao meu redor, mas tudo o que eu sinto a respeito do meu corpo mudou. É como se eu finalmente entendesse uma ideia enterrada lá no fundo da memória, e acho que é disso que Brie estava falando.

Sabe, a gente cresce achando que o corpo é um obstáculo, que ele é um problema a ser consertado e que não serve para muita coisa além de nos levar de um lugar a outro (e acumular gordura e abrigar espinhas). Mas tudo muda quando você começa a usá-lo – realmente usá-lo. Pode ser com uma dança, uma yoga, uma corrida, uma luta, uma ginástica qualquer que te faça bem.

Muda porque que você descobre que o seu corpo é uma ferramenta, não uma vitrine. Você começa a treinar com o objetivo de completar um movimento e não para caber num vestido e isso faz muito, muito mais sentido. Então, um dia, você percebe que é mais forte do que pensava e que consegue fazer coisas que antes só admirava. Você começa a confiar mais nos seus braços e nas suas pernas e no abdômen e em toda essa estrutura que até então mal conhecia, e descobre que ela vai sim te segurar. E a sensação é tão boa que, de repente, aquele vestido parece a coisa menos importante do mundo – porque o que você tem é orgulho e vale muito mais.

Hoje, ainda com muito chão pela frente para cair e errar, sinto meu corpo como uma parte mais desperta de mim. Como algo que andava esquecido, sobre o qual eu só pensava por obrigação ou vaidade, mas agora ele é meu companheiro para todos os perrengues. Ele não é perfeito, talvez não seja tão alto nem tão magro nem tão bronzeado, mas ele pode fazer coisas incríveis. E é exatamente isso que eu pretendo fazer com ele.

Zumbis à la française

Pessoas comendo pessoas, mortas mas ainda andando pelos cantos, sofrendo espasmos involuntários e caçando como se respondessem a instintos de algum outro animal que não o humano. São zumbis, sem dúvida, que cercam o introvertido músico Sam (Anders Danielsen Lie) no longa de estreia de Dominique Rocher, “A Noite Devorou o Mundo”. Mas não é dos zumbis que ele foge.

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Artistas malditos

Não sei se vocês já leram alguma aventura de Sherlock Holmes, mas tenho uma coleção completa aqui e, de tempos em tempos, pego uma das histórias para folhear antes de dormir. São divertidíssimas, recomendo! Mas tem uma pegadinha… Elas podem ser bem preconceituosas.

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Livros pela metade

Preciso confessar uma coisa: já deixei muitos livros pela metade. Fui uma leitora exemplar quando criança, do tipo que, mesmo se a história não animava, dava um jeito de chegar até o fim – e chegava rápido. Mas a coisa começou a desandar com “Crime e Castigo”. Uma vergonha, eu sei. Fui lendo, fui lendo, até que chegou uma página divisória escrito “Parte 2” e foi a minha deixa. Nunca mais voltei.

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Auto-estima poderosa

Filmes de comédia adoram bater a cabeça de seus protagonistas para colocá-los em situações fantásticas. Em “Sexy por Acidente”, longa que estreia no dia 28 de junho, é a vez de Renee (Amy Schumer) levar um tombo e acordar transformada: ao invés da garota comum, de rosto redondo e vermelho que ela vê todos os dias, o espelho passa a refletir uma mulher perfeita, “inegavelmente bonita”, como ela sempre sonhou em ser.

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(Des)aprendendo a escrever

Escrevo desde criancinha e nunca dei muita bola pra isso. Simplesmente inventava histórias para as minhas bonecas, para os personagens que eu gostava da televisão, ou criava minhas próprias heroínas estranhas e as colocava no papel – fosse em forma de quadrinhos, anotações nos cantos dos desenhos ou, certa vez, num calhamaço de papel escrito à mão, com capa e tudo como num livro de verdade.

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De volta ao mundo dos dinossauros

Por mais que Hollywood diga o contrário, poucos filmes nascem com a vocação para se tornarem franquias. Desses poucos, os melhores provavelmente vieram da mente de Steven Spielberg. Nesta quinta (21), estreia oficialmente (depois de uma semana de pré-estreias) o quinto longa de sua famosa saga jurássica, “Jurassic World – Reino Ameaçado”. Um filme que vem provar, em meio a um mar de sequências desnecessárias, que um universo bem construído pode render décadas de terror, curiosidade, aventuras e dilemas morais que não estão nem perto de acabar.

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Pão e Circo

Toda Copa do Mundo é o mesmo drama: para cada dois ou três torcedores fanáticos, existe um protestando contra o “pão e circo” que é esse espetáculo midiático. Uma maquinação diabólica para que o povo, entretido, não perceba as opressões que se colocam sobre ele nesses e em todos os outros dias do ano.

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Superpoderes

Estava pensando em superpoderes. Não nos dos super-heróis, fantásticos e inúteis (a não ser que você esteja metido numa batalha contra as forças do mal), mas nos de gente nada heroica, desses poderes discretos que fazem a diferença na vida pacata de quem não gosta nem de brigar. Por exemplo: tem gente que é boa com pessoas e consegue tudo, só na lábia. Tem gente que cozinha bem, e isso já é meio caminho andado para uma vida feliz. E memória fotográfica então? Baita poder!

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14 anos depois, eles ainda são Incríveis

Vamos falar de perspectiva? Em 2004, a Pixar lançou nos cinemas um filme chamado “Os Incríveis”. Era uma animação diferente, que agradou tanto aos pais quanto aos filhos num tempo em que desenhos animados eram coisa de criança – e os adultos odiavam ter que acompanhá-las. É, o mundo já foi assim e você nem se lembrava.

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